6 de dezembro de 2017

M, o justiceiro

- Mãe, sabes, hoje portei-me um bocadinho mal na escola... 
- Ai sim? O que fizeste?
- O A estava a bater-me... 
- Sim, e tu o que fizeste? 
- Também lhe bati... 
- Porque não falaste com a professora? 
- Ela não estava no recreio... 
- Sabes que não se deve bater nos outros meninos... 
- Pois não... Não se bate nos meninos que se portam bem. Mas o A estava a portar-se mal... 

E é isto. O meu filho tornou-se uma espécie de justiceiro. Se te portas mal, levas com uma consequência... 




Nota importante: desde que o M entrou para escola que lhe tenho vindo a explicar que não deve deixar que os outros meninos o magoem, que deve defender-se, mas não o incentivo a responder na mesma moeda. Mas com este diálogo percebi que já aprendeu por si que há alturas que mais ninguém o pode defender a não ser ele mesmo e que o outro só aprende se lhe fizer igual. Certo é que o A (o menino que bate em todos os meninos na escola) nunca mais lhe tocou... 

Óbvio que continuo a achar, e a explicar, que ser violento não é a solução. Mas também não quero que o meu filho apanhe dos outros sem se defender só porque os pais lhe disseram que bater não é correto. Enfim... Um dilema, não é verdade? 

4 comentários:

  1. E não podia concordar mais! Como sabes, o meu filho ainda não anda na escola, mas sempre que vou ao parque, no caminho, explico-lhe que vai brincar com muitos meninos e que se algum lhe bater ele tem de explicar que só pode ser festinhas, se ele continuar a bater que não deve deixar e vir a correr para a minha beira e, por último, se não resultar tem de se defender. Não o incito à violência mas também não quero que não reaja se lhe baterem!
    Acho que o M. teve um comportamento correcto perante o cenário que lhe apareceu! ;)

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  2. Fizeram bem, não incentivar à violência mas também não permitir que ele seja agredido sem nada fazer.
    O filho de um casal amigo meu este ano tem tido problemas com um miúdo na escola dele. O miúdo bate em todos, tem queixas apresentadas na PSP e ainda não foi expulso da escola o que é uma vergonha e nem os pais dele querem saber. Por cá ainda não sabemos lidar com o bullying infelizmente.

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  3. É um verdadeiro dilema, é mesmo.
    No meu caso, a minha filha entrou para o infantário em Setembro e ainda não ocorreu nenhuma situação semelhante mas vai ser difícil, para mim como mãe, quando isso acontecer. Porque vai acontecer, mais tarde ou mais cedo.
    Como professora, vejo muitos miúdos que passam verdadeiros tormentos porque são gozados ou agredidos e não se sabem defender.
    No outro dia, estava a falar com uma mãe que tem duas filhas com feitios completamente diferentes. Dizia-me ela que a mais velha sempre apanhou na escola e calava. Não respondia nem denunciava. A mais nova é exactamente o oposto. Se lhe fazem, ela responde. E acrescentava ela que apesar de tudo, ao ver passar o sofrimento da mais velha, que preferia a personalidade da mais nova: sabia defender-se, mesmo que por vezes a melhor estratégia não fosse seguir a violência.

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  4. Houve uma situação com o T. em que uma miúda da sala dele lhe batia constantemente. Ele contava-me e eu confesso que não acreditei das primeiras vezes. Isto porque a miúda tem cara de anjo e é super meiguinha com o T. sempre que estou presente. Mais depressa acreditava que fosse o T. a bater na miúda. Aprendi a lição e desde essa altura nunca mais duvidei do meu filho. E não sei se é o mais correto, mas quando percebi que lhe batia simplesmente disse para não se ficar. E ele não se ficou. Hoje a miúda já não lhe bate.

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