24 de outubro de 2017

Dúvidas minhas


A amiga descobre que tem um problema de saúde. Eu, de longe a longe, vou ligando para saber como está e fico a saber que terá que ser operada. No dia anterior à operação, ligo para desejar que tudo corra pelo melhor. Dias depois, já em casa e apta para receber visitas, vou à florista e compro uma flor bonita e que sei que vai gostar, para lhe oferecer. 

Vários meses se passaram. Eu adoeci e estive algumas semanas em repouso. Nem conduzir conseguia pois a medicação que estava a tomar era tão forte, que adormecia. Ela soube pelo meu marido que eu estava doente. Não que tivéssemos feito questão em contar, apenas calhou, porque tivemos que recusar um convite para jantar com ela e o seu marido. 

Não recebi um único telefonema por parte dela para saber se estava bem ou o que se tinha passado comigo. Nem uma sms. Nem uma mensagem via facebook. Nem uma visita. Também não recebi uma flor, muito menos artificial. 

Este é apenas um exemplo de algo que costuma acontecer com frequência na minha vida. Eu procuro saber, telefono, mando mensagens, preocupo-me, mostro-me interessada, teço elogios... Já o contrário é... Nada. 

Eu não dou nada a ninguém para receber o mesmo em troca. E não falo de presentes, nem de flores. Se gosto de alguém, preocupo-me genuinamente. E gosto de, de vez em quando, saber como estão. Faço-o de coração, sem interesses ou segundas intenções. 

Mas às vezes surgem na minha mente várias dúvidas. As mais recorrentes são: porque é que as pessoas têm tendência em esquecer-se de mim? Porque é que não se preocupam? Será que gostam mesmo de mim? Porque se gostassem, procuravam saber notícias minhas nem que fosse uma vez por ano. Ou não é assim que funciona?

Aos olhos dos outros, isto pode parecer parvoíce, ou mesmo infantil. No entanto, para mim, mesmo que parvo, não deixa de ser importante. Afinal, as pessoas também vivem de afetos e gostam de saber que se preocupam com elas. Ou estarei errada e serei a única? 

Por isso, ponho-me a pensar porque me preocupo tanto com os outros e não sinto ninguém a preocupar-se comigo... Quantas amigas tenho longe e se não for eu a contactar, não recebo nem uma micro sms... 

E no meio de todas estas divagações, surge aquela dúvida... O problema é meu, não é?

4 comentários:

  1. Não. Não é teu. Pode ser da vida que corre a mil e das pessoas que se deixam absorver exclusivamente pelos seus problemas, mas o problema não és tu. Houvesse mais pessoas assim, interessadas pelo próximo.

    Beijinhos.

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  2. Sou igual!
    Também me preocupo, vou perguntando como estão (nem precisam de estar doentes) e saber se está tudo bem na vida das pessoas de quem gosto mas quando é ao contrário é raro receber uma simples SMS. Se a pessoa valer a pena assim que a oportunidade surge eu "queixo-me" (para resumir) e depois parte da pessoa mudar ou não. Porque a verdade é que cada pessoa tem o seu feitio e para as amizades se manterem há coisas que temos de mudar no nosso comportamento para com os outros de forma a que do nada a amizade se perca. Se não valer a pena, ficamos por ali. Não fico zangada mas deixo de me preocupar. A vida é curta por isso temos de dar valor e atenção a quem também nos dá.

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    1. Eu também não fico zangada, tanto que não o estou com ninguém. Apenas penso muito nisso e acho que é importante para as relações se manterem saudáveis manter um contacto, mostrar interesse... não precisa ser diário, basta ser genuíno. ;)
      Beijinhos

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