As perguntas do M.

- Mãe, por que é que as pessoas doentes morrem? (Na escola dele, faleceu uma professora que estava doente há já algum tempo). 

- Por que às vezes a doença consegue ser mais forte do que as pessoas...

Interrompe: - E todas as pessoas que estão doentes vão morrer?

- Não, não é sempre assim. Umas pessoas morrem, outras não... (Como explicar estas questões a um menino de 4 anos?)

- E eu vou morrer? É que tenho nariz entupido...

- Não, M. Não vais morrer...

Volta a interromper: - E porque é que as pessoas têm que morrer, mãe? Qual é o objetivo, mãe? (Sim, ele perguntou qual era o objetivo de morrer e nem sei se ele sabe qual o significado da palavra, mas... Eu é que já não soube o que dizer...)

A poltrona azul [1]

A primeira vez que entrei naquele consultório sentei-me na cadeira em frente à secretária. Mas rapidamente a médica me convidou a sentar na poltrona azul turquesa. Engraçado, pensei, parece que foi feita mesmo para mim, na minha cor favorita. Mas esse foi o único pensamento simpático daquele dia. Na verdade, eu sentia-me desconfortável, pouco à vontade... Estava a custar-me estar ali, a pensar que dali em diante iria começar uma série de consultas de psicanálise que, na altura, achava serem totalmente desnecessárias. E a ideia de me sentar naquele cadeirão era fazer sentir-me confortável e em casa... À vontade para falar. Só que não foi fácil. Nada fácil. Recusava a ideia de precisar daquelas consultas. Não tinha que falar de nada! A parte física do esgotamento tinha aceitado bem. Sentir-me cansada, sem energia, com dores de cabeça todos os dias... era normal naquela condição e era só isso que tinha de ser tratado. A parte emocional, para mim, estava perfeita, por isso não fazia sentido estar ali. Pensava eu...

Só ao fim de meia dúzia de consultas é que comecei a perceber como era importante estar ali. Era a peça que faltava no puzzle que eu queria muito terminar. Como me disse muitas vezes a médica, o corpo e a mente estão sempre ligados, sempre, e para um estar bem, o outro também tem que estar. E no meu caso em particular, era mais do que natural que também estivesse esgotada emocionalmente. 

Custou mas acabei por me sentir confortável naquela poltrona. Como se estivesse em casa ou num café simpático e acolhedor a falar com uma amiga, acompanhada de um cappuccino. E comecei a falar do que me ia na alma. E tanto que eu falei naquela poltrona azul... 


[Acho que, depois deste texto, surgirão muitos mais intitulados de A poltrona azul. Sempre que eu quiser desabafar... Como se fosse a minha psicanálise.]

O tempo voa...

Começou a escolinha para o M. Já vai para o segundo ano do pré-escolar. Ainda me lembro como o ano passado estava bem mais ansiosa por ele, cheia de dúvidas e expectativas para uma nova etapa da sua vida. Este ano já foi diferente. Ele já conhece as pessoas, os cantos da escola... Já foi brincar com os amiguinhos sem olhar para trás, para onde eu estava... Fiquei eu com um friozinho na barriga por ele... Nenhum de nós estava nervoso como no ano anterior, as borboletas na barriga eram só minhas por perceber como ele está a crescer tão depressa... Por mim, ficava sempre protegido debaixo das minhas asas, mas não pode ser... Há que deixá-lo viver e aproveitar bem todas as fases que ainda tem pela frente. Eu cá estou, sempre pronta para o receber e ouvir contar todas as suas peripécias.




Do ponto de vista do M.

- Mãe, por que é que estás sempre a trabalhar, mãe?

- A mãe não está sempre a trabalhar, M. E já sabes que a mãe tem que trabalhar, não sabes? Como o pai também tem... 

- Eu sei, mãe, para ganhar moedas... Mas tu estás sempre no computador... E sempre a trabalhar...

- Não é verdade... E daqui a pouco a mãe já acaba...

- E depois vais passar a roupa a ferro... E vais arrumar o meu quarto... E guardar a minha roupa... E depois vais fazer a comida... Tens sempre algum trabalho, mãe... 


😖

Tenho uma curiosidade...

Lancei duas perguntas no Instagram mas parece que o pessoal por lá é muito tímido (aliás, já é a segunda vez e ninguém me liga nenhuma)... Têm vergonha de falar comigo? Prometo que não mordo... 😂

Falando um pouco mais a sério...

Gostava de saber duas coisas: o que vos levou a seguirem o meu blogue? E o que sugerem para melhorar? 

É só curiosidade, portanto, não se acanhem em responder (aqui ou lá)... 😉

Esta sou eu



Ando sempre em busca do sol. Como um girassol. A vida já me colocou à sombra inúmeras vezes, mas eu não desisto e procuro sempre por aqueles raios luminosos que me aquecem a alma e o coração. 

Gosto do otimismo e tento sempre ser o mais positiva possível, mas às vezes é tão difícil... Só não o demonstro. Quando estou mais pessimista guardo esse sentimento só para mim. 

Sou apaixonada pela minha pequena família, por este pequeno núcleo que eu e o meu marido estamos a construir. Ser mãe foi o maior presente que a vida me deu, mas sou muito imperfeita. Tento melhorar todos os dias, desempenhar da melhor maneira este papel e sou feliz assim (mesmo quando piso um monte de legos espalhados pelo chão).

Gosto de mãos. Gosto de observar as mãos das outras pessoas e tentar perceber, através delas, como será as suas vidas. E gosto de ter sempre a minhas mãos cuidadas, com direito a manicure feita por mim. Aliás, esse é o meu ritual de todos os sábados. Aquele tempinho só para mim... 

Sou vaidosa q.b. Não sou exagerada, mas também não posso dizer que não ligo nada. Gosto de me arranjar, de estar apresentável, de seguir as tendências, mas não sou pessoa de usar maquilhagem (só corretor de olheiras). Nestes últimos tempos em que fui obrigada a cuidar mais de mim, passei a olhar-me de outra forma e a prestar atenção a alguns detalhes. Tornei-me ligeiramente mais vaidosa e descobri que o meu estilo favorito é o agora denominado de sporty chic. Gira mas confortável (a idade já não perdoa, é o que é). 

Passei recentemente por uma fase conturbada, que me me fez sentir bastante frágil, tanto física como mentalmente. Ainda estou a recuperar de tantos meses "à sombra" (a contar com os meses em que estava em negação, mas que já apresentava sintomas, desde Março de 2016), no entanto, encontrei o meu caminho. Claro que todo este "processo" mudou-me como pessoa. E ainda estou a mudar... 

Aliás, vou continuar sempre a mudar. Acho que essa é uma característica muito minha. Todos mudamos, nos adaptamos, nos moldamos... Mas eu sou daquelas pessoas que vive insatisfeita (aquela insatisfação boa, que nos motiva), sempre a limar arestas e a tentar ser melhor todos os dias... 


You're broken down and tired
Of living life on a merry go round
And you can't find the fighter
But I see it in you so we gonna walk it out
And move mountains
We gonna walk it out
And move mountains

And I'll rise up
I'll rise like the day
I'll rise up
I'll rise unafraid
I'll rise up
And I'll do it a thousand times again
And I'll rise up
High like the waves
I'll rise up
In spite of the ache
I'll rise up
And I'll do it a thousands times again
For you
For you
For you
For you

When the silence isn't quiet
And it feels like it's getting hard to breathe
And I know you feel like dying
But I promise we'll take the world to its feet
And move mountains
We'll take it to its feet
And move mountains

And I'll rise up
I'll rise like the day
I'll rise up
I'll rise unafraid
I'll rise up
And I'll do it a thousand times again
For you
For you
For you
For you

All we need, all we need is hope
And for that we have each other
And for that we have each other
We will rise
We will rise
We'll rise, oh oh
We'll rise

I'll rise up
Rise like the day
I'll rise up
In spite of the ache
I will rise a thousands times again
And we'll rise up
Rise like the waves
We'll rise up
In spite of the ache
We'll rise up
And we'll do it a thousands times again

A "minha" música: Andra Day - Rise Up 


Ainda não tinha falado sobre as minhas férias


Primeira coisa a dizer: voltei uma pessoa completamente renovada e muito serena. Há muito que não me sentia assim... Tão bom! 

Este ano obriguei-me a parar. Tinha que ser, tinha mesmo que ser, a bem da minha saúde física e mental. Nos anos anteriores, tentava sempre conciliar o trabalho e algumas pausas, porque como freelancer não queria, nem podia, arriscar a estar muitos dias parada, mas este ano teve que ser diferente. E acabei por descobrir que as pessoas são mais compreensivas do que estava à espera e quando lhes expliquei a situação não tive problemas e tudo acabou por correr pelo melhor. Todos entendem que as férias são um bem necessário e, no meu caso em particular, uma pausa era mesmo obrigatória. 

Desliguei o computador no dia 10 de Agosto e só voltei a ligá-lo no dia 03 deste mês. Pelo meio, se surgisse algum trabalho importante ou urgente, reencaminhava-o para uma colega com quem tinha falado previamente. Estava tudo em ordem para eu poder descansar e desligar-me por completo. 

Há muito tempo que sentia o meu corpo e a minha mente a cederem e a pedirem por descanso. Mas o que eu estava a fazer não era suficiente e, por isso, tanto avançava como a seguir dava uns passos para trás. Não podia continuar assim. Não era bom, nem para mim, nem para ninguém. O meu desgaste já se notava a léguas e tudo me causava stress. A bem da verdade, tudo me irritava. O barulho da televisão, o barulho que o meu filho fazia a brincar (uma parvoíce, eu sei)... Enervava-me com facilidade e com qualquer coisa: o trânsito, a médica - que estava sempre errada (e não estava), os brinquedos espalhados pelo chão, a roupa fora do sítio, o trabalho que não estava a ficar pronto a tempo (porque já não estava a conseguir organizar-me, nem a concentrar-me)... Enfim... Um sem número de coisas que agora já não têm qualquer importância. Portanto, uma pausa completa era mesmo precisa. 

Assim fiz. Desliguei-me por completo. Centrei-me em mim, cuidei de mim. Fiz muitas caminhadas, voltei a colorir para relaxar, li o livro que tinha planeado, passeei muito, fui várias vezes à praia (consegui sair do tom de pele semi-transparente para o bege - nada mau, hã? He he he ;-) ), dormi mais do que estava a contar, recarreguei baterias... e andei serena todos os dias. Era esse objetivo. Descansar, relaxar, sentir-me em paz. 


Agora é só continuar assim e manter este equilíbrio que alcancei ao longo destas últimas três semanas. Provavelmente não vai ser fácil, mas agora que cheguei aqui, não pretendo recuar. 


Nota final: ainda não tive alta, mas segundo a médica as melhorias são bem notáveis. Acho que posso celebrar! Yeieiiii! 


A terra tremeu

Foram uns segundos. Pela primeira vez na minha vida senti a terra a tremer. Um sismo de 4.6 na escala de Richter. 

No início não estava a perceber o que seria aquele barulho de fundo estranho, mas assim que o candeeiro por cima de mim começou a abanar e a minha cama a tremer, percebi logo do que se tratava. Deixei-me estar a tentar perceber no aquilo ia dar, mas depressa passou. Durou uns segundos, penso eu. Mas que a terra tremeu bem, lá isso tremeu. Pelo menos aqui, onde moro, senti bem este sismo. 

Desde então tenho estado a pensar: meu Deus, como será acordar com um sismo ainda mais forte, às vezes nem ter tempo para reagir, como acontece noutros países? Não consigo imaginar sequer. O terror que deve ser ver tudo a cair à nossa volta... 

Felizmente, não houve estragos. Nem feridos, nem nada do género. Ficou só uma sensação de estranheza por aqueles segundos em que a terra tremeu... Pelo menos para mim. 



[Às vezes tenho estes "momentos de reflexão" resultantes das coisas mais inesperadas.]

O meu regresso


Voltei! 

Será que ainda anda alguém por aqui? 

Voltei!

Voltei das minhas férias. E, deixem-me dizer, que bem que me souberam estas semanas de descanso! Regresso outra pessoa, com outra energia, a sentir-me super serena. Só quero que este sentimento perdure e que eu não volte a perder o rumo e que consiga manter-me assim, em equilíbrio. 

Voltei! Voltei! Voltei!

E quero escrever sobre tanta coisa!