Vários

Sempre utilizei a escrita como escape mas ultimamente não o tenho feito. A verdade é que quando temos problemas torna-se difícil falar deles, mesmo que por escrito. Estou numa fase em que nem sempre consigo falar sobre o que me vai na alma. Sobretudo porque custa admitir que não sou perfeita, tenho problemas, erro muito, a minha vida não está um mar de rosas e, neste momento, há muita coisa que me incomoda e me está a tirar a serenidade. 

Há uns tempos tive o meu casamento por um fio e, agora, estamos a atravessar uma fase igual. Há um motivo que é o mesmo e, entretanto, surgiram outros problemas. Ando cansada de muita coisa e uma delas é a família dele. Incomoda-me muita coisa, odeio outras tantas e isso está a afastar-me do meu marido. Já tentei fazer ver o meu ponto de vista, e bem quero que isso não interfira entre nós, mas não está a ser fácil. Ele não compreende o que lhe digo e sinto ou, então, não quer entender e aceitar. Não sei... O que sei é que todo este turbilhão de sentimentos que trago comigo, está a afetar o nosso relacionamento...

Depois há a minha família. Confesso que também ando pelos cabelos com certas coisas. Desde que o meu pai se reformou que toma antidepressivos. E nada mais faz para melhorar e sair daquela depressão. Já lá vão 8 anos. A minha mãe anda numa constante pilha de nervos por causa dele e de algumas atitudes. Desabafa sempre comigo, que sou a que estou mais próxima, e eu também acabo por viver todo aquele ambiente. Estou cansada... Mesmo cansada de ser o muro das lamentações e, muitas vezes, da raiva. Que culpa tenho eu? Porque há alturas em que, pela forma como a minha mãe me fala, parece que sou eu a culpada. Tenho a minha vida, não posso estar a vigiá-lo de minuto em minuto quando ela não está. Mas se nesse minuto em que não estou a olhar, alguma coisa falha, ui... É melhor tapar os ouvidos. 

«Não.» « Não posso.» «Não estou disponível a essa hora.» «Hoje não dá.» Estas são frases que muitas pessoas não aceitam vindas de mim. Porque eu tenho que estar sempre disponível. Porque eu não estou ocupada. Porque, afinal de contas, tenho um trabalho sem horários, posso sempre, a qualquer hora, e depois continuo o que estava a fazer, porque tenho tempo. Vale a pena explicar às pessoas o contrário? 

Por falar em trabalho... Não, não me sinto realizada. Tem dias em que sim, mas nos últimos tempos o sentimento é o contrário. Trabalho no que gosto, é verdade, mas tem-me apetecido mandar tudo às urtigas. 

A bem da verdade, anda-me apetecer mandar a minha vida toda às urtigas. 

Ah! E acho que estou a entrar numa depressão. 


Tanta coisa para dizer...

E falta-me a coragem... Vá-se lá saber porquê... 


Eu?

Acho que sim, acho que sou um pouco (ou será muito?) assim... 



P.S. Avizinham-se uns quantos posts para exorcizar sentimentos...

O meu calcanhar de Aquiles

Ao longo de toda a minha vida nunca fui capaz de construir uma amizade sólida. Não porque não tivesse vontade, simplesmente havia sempre alguma coisa a impedir ou a estragar tudo. Durante muito tempo perguntei se o problema era meu, se não seria uma boa amiga, hoje começo a pensar que a vida é mesmo assim e que há coisas que não podemos mudar. 

Se tenho amigos? Acho que sim. Acho. Nunca tive a certeza. Mas não tenho aquele amigo que me acompanha há mais de uma década, isso não tenho. O que, devo confessar, me deixa um pouco triste. 

Tive bons amigos durante o tempo de estudante. Na altura eram. Depois a vida separou-nos e alguns passaram a ser completos desconhecidos (nem me cumprimentam sequer, talvez porque a confiança que tínhamos desapareceu, não sei).

Tive a minha dose de desilusões com as pessoas. Algumas supostas amizades. Os 4 anos passados na universidade foram bem amargos à conta disso. Foi aqui que me questionei muitas vezes, que duvidei muitas vezes de mim: não serei digna de uma amizade? Não serei boa amiga?

Passado esse "trauma" voltei a sofrer uma outra desilusão. Esta derrubou-me a valer. Foi de tal forma séria que deixei de acreditar nas pessoas, na amizade verdadeira. Ainda hoje tenho as minhas dúvidas se ela existe ou não. Vou acreditando que as pessoas não são todas iguais, que ainda as há com bom carácter... 

Este é meu calcanhar de Aquiles. A minha maior insegurança. Deixei de conseguir confiar totalmente nas pessoas. Quem sabe não será melhor assim, para não voltar a desiludir-me. Por outro lado, sinto que me faz falta. Acreditar. Confiar mais. 

Ando há demasiado tempo a tentar resolver este dilema interior... Já está na hora de arrumar com este assunto de vez.

O fim de semana está aí...

E eu vou aproveitar para descansar e relaxar, pois bem preciso... 




Bom fim de semana! 

Respondendo à pergunta de ontem...

Cansada. Estou cansada. Esta é a palavra que melhor me define neste momento. 

Cansada deste vaivém de consultas que não resultam naquilo que mais quero ouvir. 

Estou cansada deste meu estado de espírito e físico. 

Ah, e estou cansada de sofrer de insónias. Podia dormir apenas 6 horas por noite, mas se pelo menos dormisse bem... 

Hoje também estou cansada deste meu trabalho, solitário e por vezes tão desgastante mentalmente... 

E, finalmente, estou cansada de estar sempre cansada. 

Portanto, a descrever-me numa só palavra, cansada é a mais correta neste momento.

Boa pergunta!


É que, honestamente, não sei... 

A idade é só um número (uma reflexão cheia de questões)

Nestes últimos dias tenho pensado muito na minha idade. Este ano vou fazer 36. Trinta e seis. Uau! Tantos anos! 

Dou por mim a pensar que este número é imaginário. Que não é verdadeiro. Como assim vou fazer trinta e seis anos? Não dei por eles passar sequer... É que às vezes julgo que parei ali na casa dos 20 porque não sinto o "peso" dos 30. Será que isto faz algum sentido? 

Por outro lado sinto-me "velha". Vejo o meu filho a crescer (e ainda "ontem" ele nasceu), as primeiras rugas a aparecerem... Não é que elas me preocupem, não é isso, mas é uma prova física de que a idade está mesmo ali. É real. E o que me assusta é ver os dias, os meses, os anos, a passarem tão rápido e eu a sentir que talvez não esteja a aproveitar tudo como deve de ser. Que não estou naquele patamar que julgava estar nesta idade. Sabem, quando somos mais novos, idealizamos que com X anos estaremos assim, teremos aquilo... E depois chegamos a essa idade e ficamos a pensar: estou onde queria estar? 

Parece que estou com uma crise de identidade. Se calhar... Será uma crise de meia idade? Ah ah ah! Estou a brincar, obviamente... Mas que estou a passar por uma crise qualquer, estou. Porque tenho dado por mim a analisar a minha vida toda até agora. Os objetivos que tracei, os desejos que concretizei, onde falhei, onde errei, o que deixei por fazer, o que é que mudava se tivesse oportunidade... Tenho dado por mim a pensar em muita coisa que me aconteceu: os amigos que ficaram para trás, as desilusões que tive com pessoas, a pessoa que me tornei, aquilo em que deixei de acreditar (para mim a amizade é algo que deixou de existir), o que gostaria de ter agora e não tenho... E, sobretudo, tenho me questionado muitas vezes: estou feliz? 

Neste momento tenho muitas questões a povoarem-me a mente. Questões que teimam em surgir a cada minuto. Questões que também me têm deixado desanimada, triste, a duvidar do que me rodeia... Mas também quero acreditar que são questões pertinentes, que preciso de as colocar para obter respostas e deixar de ter dúvidas... Enfim, para ultrapassar esta fase estranha, que não sei definir, nem consigo descrever. 

Acho que preciso de pressionar o botão da pausa e deixar estar assim por um tempo. Até sentir que estou preparada para avançar novamente. Até ter percebido qual é o caminho que quero seguir. Nunca saberei se é o certo, acho que não dá para saber, mas se pelo menos sentir que o que faz mais sentido é ir por ali, então será um bom caminho...

Bom, acho que neste momento nada me faz sentido. Nem eu, nem o que acabei de escrever. O que é estranho em mim. Aliás, sinto-me estranha... Porque nunca me senti assim.

Pelo menos serviu para exteriorizar todos estes sentimentos e dúvidas. Já não é mau... E até parece que estou mais leve. 

É verdade

E se eu tivesse sabido disto antes...