19 de julho de 2017

Desculpem lá

Sempre disse que mais depressa se conheciam os verdadeiros amigos no sucesso do que na tristeza. Mas desde que adoeci que tenho vindo a constatar outra coisa: os amigos conhecem-se nos extremos. No extremo da felicidade e no extremo da tristeza. Os que não são amigos não gostam de pessoas felizes com a vida, assim como também não querem estar perto de alguém com problemas e sempre triste. 


Eu mudei muito desde que me diagnosticaram um esgotamento mental. Este problema mudou-me. Estou mais séria, tenho menos vontade de sorrir, ando mais irritada, sempre com dores de cabeça, muito mais cansada, e são poucas as vezes em que me apetece sair de casa e conviver um pouco com outras pessoas... O meu refúgio tem sido a minha família e quando resolvemos passear, vamos mesmo só nós. 


As pessoas têm notado que estou diferente. E a reação foi... afastarem-se. Eu sei que podia fazer um esforço, fingir que está tudo bem, colocar um sorriso... Mas às vezes é mais forte do que eu e, na maioria, as dores não são possíveis de disfarçar. Mas a questão é: os amigos não perguntam o que se passa? Não querem saber o que tenho? Pelas costas chamam-me enjoadinha? 


Não, não são amigos. São pessoas que apenas querem saber dos seus próprios problemas e não gostam de pessoas que estão a passar uma má fase, preferindo deixa-las de lado. Aliás, são aquelas que não entendem porque é que alguém chega ao meu estado e julgam sem conhecimento de causa. Dá trabalho ouvir e perceber, não é? 


Bom... Se calhar o que tenho a fazer é pedir desculpa. É isso? Então, desculpem lá qualquer coisinha, queridas pessoas que já não gostam de conviver comigo. Desculpem a minha doença, desculpem o meu desânimo, a minha ausência, e desculpem as minhas dores e o meu cansaço extremo. Mas isto passa, sabem? É passageiro e os sorrisos vão voltar. Só não sei se voltarão para vocês... 

1 comentário:

Coquinhas disse...

Não tenhas dúvidas que é quando estamos no fundo que percebemos muita muita coisa