20 de setembro de 2018

A poltrona azul [1]

A primeira vez que entrei naquele consultório sentei-me na cadeira em frente à secretária. Mas rapidamente a médica me convidou a sentar na poltrona azul turquesa. Engraçado, pensei, parece que foi feita mesmo para mim, na minha cor favorita. Mas esse foi o único pensamento simpático daquele dia. Na verdade, eu sentia-me desconfortável, pouco à vontade... Estava a custar-me estar ali, a pensar que dali em diante iria começar uma série de consultas de psicanálise que, na altura, achava serem totalmente desnecessárias. E a ideia de me sentar naquele cadeirão era fazer sentir-me confortável e em casa... À vontade para falar. Só que não foi fácil. Nada fácil. Recusava a ideia de precisar daquelas consultas. Não tinha que falar de nada! A parte física do esgotamento tinha aceitado bem. Sentir-me cansada, sem energia, com dores de cabeça todos os dias... era normal naquela condição e era só isso que tinha de ser tratado. A parte emocional, para mim, estava perfeita, por isso não fazia sentido estar ali. Pensava eu...

Só ao fim de meia dúzia de consultas é que comecei a perceber como era importante estar ali. Era a peça que faltava no puzzle que eu queria muito terminar. Como me disse muitas vezes a médica, o corpo e a mente estão sempre ligados, sempre, e para um estar bem, o outro também tem que estar. E no meu caso em particular, era mais do que natural que também estivesse esgotada emocionalmente. 

Custou mas acabei por me sentir confortável naquela poltrona. Como se estivesse em casa ou num café simpático e acolhedor a falar com uma amiga, acompanhada de um cappuccino. E comecei a falar do que me ia na alma. E tanto que eu falei naquela poltrona azul... 


[Acho que, depois deste texto, surgirão muitos mais intitulados de A poltrona azul. Sempre que eu quiser desabafar... Como se fosse a minha psicanálise.]

19 de setembro de 2018

17 de setembro de 2018

O tempo voa...

Começou a escolinha para o M. Já vai para o segundo ano do pré-escolar. Ainda me lembro como o ano passado estava bem mais ansiosa por ele, cheia de dúvidas e expectativas para uma nova etapa da sua vida. Este ano já foi diferente. Ele já conhece as pessoas, os cantos da escola... Já foi brincar com os amiguinhos sem olhar para trás, para onde eu estava... Fiquei eu com um friozinho na barriga por ele... Nenhum de nós estava nervoso como no ano anterior, as borboletas na barriga eram só minhas por perceber como ele está a crescer tão depressa... Por mim, ficava sempre protegido debaixo das minhas asas, mas não pode ser... Há que deixá-lo viver e aproveitar bem todas as fases que ainda tem pela frente. Eu cá estou, sempre pronta para o receber e ouvir contar todas as suas peripécias.




13 de setembro de 2018

Do ponto de vista do M.

- Mãe, por que é que estás sempre a trabalhar, mãe?

- A mãe não está sempre a trabalhar, M. E já sabes que a mãe tem que trabalhar, não sabes? Como o pai também tem... 

- Eu sei, mãe, para ganhar moedas... Mas tu estás sempre no computador... E sempre a trabalhar...

- Não é verdade... E daqui a pouco a mãe já acaba...

- E depois vais passar a roupa a ferro... E vais arrumar o meu quarto... E guardar a minha roupa... E depois vais fazer a comida... Tens sempre algum trabalho, mãe... 


😖

10 de setembro de 2018

Tenho uma curiosidade...

Lancei duas perguntas no Instagram mas parece que o pessoal por lá é muito tímido (aliás, já é a segunda vez e ninguém me liga nenhuma)... Têm vergonha de falar comigo? Prometo que não mordo... 😂

Falando um pouco mais a sério...

Gostava de saber duas coisas: o que vos levou a seguirem o meu blogue? E o que sugerem para melhorar? 

É só curiosidade, portanto, não se acanhem em responder (aqui ou lá)... 😉